Religion is opium for people (Karl Marx)

 

RELIGIOUS DREAM

 

Empty skyscrapers over the suburb of Belgrade where I used to live as a kid. Three quarters of the landscape’s background are filled with early morning clouds and it is there where your dainty face emerges, somewhat solemn, sprinkled with tired wrinkles and recent internet memories. You keep staring at my tiny early morning breasts sweating, showing up slowly behind the covers, my light blue hair falls slightly over my Rembrandt cheek…I know this Andre Breton look on your face, after all you areun Breton, in search of his Celtic counterpart and we are in the land of the Celts. You search for my hand but it is hidden between my legs where total intimacy, total madness, writing for its own sake are hidden and where your dreams of abandoned childhood sleep covered under my sweaty blankets.

 

Ohhh, you are kissing me at the spot where I think that it will hurt, total intimacy always hurts, your lips on the opening of my vagina, where have you been? Why did I wait for you for so long and now that you have appeared here, why do I feel so sleepy? You are fast like a Mexican jaguar, you move in me with grace, and you try to reach that spot which was never entered before. By no one. It’s like a secret photograph which speaks to you at the moment when you start hearing the cries of the seagulls, the heat of the dessert thickens and I see your sweat on your weary brow embedded with theories. These are your instant cookies which you pop into your mouth around noon, as I shiver, sitting quietly on the top of your dick then moving slowly. You are my perpetuum mobileand I adore you, ach und ach, shrieking loudly and ever louder until you lift up your hand and cover my mouth with the back of your palm… ”are you happy now?” You ask me, then having noticed that I nodded my head, satisfied, you take my other hand, that one which is not covered with sweat, and you take me out. For a walk. We should feed the cat first, you say. And then the dog, and then the parakeets. They are totally innocent .. so different from us, you say. You are my church, you say. And you, my religion, I add. I have never seen so much zeal, so much enthusiasm like I’ve seen in you this morning. You are my palace of the utmost discovery, you finally say, carefully locking the door behind us and I feel like a schoolgirl, that I am, trotting behind you along a cobbled street.

A religião é o ópio do povo (Karl Marx)

 

SONHO RELIGIOSO 

 

Arranha-céus vazios sobre o subúrbio de Belgrado onde vivi quando criança. Três quarteirões do pano de fundo da paisagem estão preenchidos com nuvens da madrugada e é ali onde seu rosto delicado emerge, de alguma forma solene, marcado com rugas cansadas e memórias recentes da internet. Você continua olhando fixamente para o ralo suor da madrugada nos meus seios, exibidos lentamente por trás das cobertas, meu cabelo azul claro caindo levemente sobre a minha bochecha de Rembrandt… Eu conheço este olhar de André Breton no seu rosto, afinal você éum Breton, em busca do seu equivalente céltico e estamos na terra dos celtas. Você procura minha mão mas ela está escondida entre minhas pernas onde a intimidade total, a loucura total, escritas para seu próprio bem, estão escondidas, e onde os seus abandonados sonhos de infância dormem cobertos sob meus cobertores suados.  

 

Ohhh, você está me beijando no ponto onde eu penso que irá machucar, intimidade total sempre machuca, seus lábios na abertura na minha vagina, onde você esteve? Por quê esperei por você tanto tempo e agora que você apareceu aqui, por quê me sinto tão sonolenta? Você é rápido como um jaguar mexicano, você se move em mim graciosamente, e tenta alcançar aquele ponto que nunca foi penetrado. Por ninguém. É como uma fotografia secreta que fala com você no momento em que você começa a ouvir os gritos das gaivotas, o calor da sobremesa se espessa e eu vejo o suor na sua sobrancelha cansada incrustada com teorias. Estes são os biscoitos instantâneos que você põe na boca por volta de meio-dia, enquanto eu estremeço, sentada calmamente na ponta do seu pau que se move lentamente.

 

Você é meu perpetuum mobilee eu te adoro,ach und ach, gritando ruidosamente e cada vez mais alto até que você levanta a mão e cobre minha boca com as costas da sua palma…”você está feliz agora? ” Você me pergunta, percebendo que eu aceno com a cabeça, você pega minha outra mão, aquela que não está coberta de suor, e me leva para fora, para uma caminhada. Nós devíamos alimentar o gato primeiro, você diz. E então o cachorro, e então os periquitos. Eles são totalmente inocentes… tão diferentes de nós, você diz. Você é minha igreja, você diz. E você, minha religião, eu adiciono. Eu nunca vi tanto fervor, tanto entusiasmo como vejo em você esta manhã. Você é meu palácio da descoberta extrema, você finalmente diz, cuidadosamente trancando a porta atrás de nós e eu me sinto como uma estudante, e sou, trotando atrás de você por uma rua de paralelepípedos.  

Body without organs is hard  to describe or conquer
It brings me back..not so much to Deleuze and Zizek but back to Chopin 

whose body was buried at Père Lachaise but his heart- his sister did it-

is built into the Baroque cathedral of St Cross in Warsaw.
And many organs were buried like that
Ashes in carhedrals, empty grave of Vasko de Gama in Cochin
And tombs of many other saints whose deeds exist in legends
They evaporated into thin air
Why do people want to ground a corpse? What are they going to do with the spirit?
How do you ground the spirit? Into a national history book?
Or- in the case of composers, could it be a history of music book?
There's no need to leave any corporal trace, whatsoever, whatever we do in life, we are doing it while we are doing it..

 

Corpo sem orgãos é díficil de narrar ou de conquistar
Me traz de volta..não tanto para Deleuze e Zizek mas de volta para Chopin 

cujo corpo foi enterrado no Père Lachaise mas seu coração – feito de sua irmã -

está enterrado na catedral Barroca de St Cross em Varsóvia.
E muitos orgãos foram enterrados como aquele
Cinzas nas catedrais, túmulo vazio de Vasco da Gama em Cochin
E tumbas de muitos outros santos cujos feitos existem em lendas 
Eles evaporaram na garoa 
Por quê as pessoas querem enterrar um corpo? O que eles vão fazer com o espírito? 

Como você enterra o espírito? Num livro de história nacional?
Ou- no caso dos compositores, poderia ser num livro de história da música? 
Não há necessidade de deixar traço corporal nenhum, de modo algum, o que fazemos na vida, fazemos enquanto estamos fazendo..

Nina Zivancevic

Translated by Virna Teixeira

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